Copacabana

Foto: Carlos Emerson Jr.

O ano de 1950 foi bem animado: em fevereiro a escola de samba Império Serrano ganhou o desfile com o tema Batalha Naval do Riachuelo. Em junho foi inaugurado o Estádio Municipal do Maracanã e alguns dias depois começava a IV Copa do Mundo de Futebol, vencida pelo Uruguai. Já em setembro, era inaugurada em São Paulo a primeira emissora de televisão do Brasil, a TV Tupi. Em outubro Getúlio Vargas foi eleito presidente do país e nesse mesmo mês, no dia 15, na Maternidade Arnaldo de Moraes, em Copacabana, eu nasci. 

Perdoem a brincadeira mas convenhamos, a “Princesinha do Mar” era um ótimo lugar para se nascer. Morava a uma quadra da praia, no Posto Seis, onde o mar é sempre calmo, ao lado de uma pracinha feita sob medida para a criançada,  perto da escola, tinha onde andar de patins e bicicleta, uns 7 cinemas à disposição na vizinhança, bailes de carnaval infantis e fogueiras de São João nas areias da praia. 

 Não por acaso morei lá por 43 anos! 

Vida que segue, casei e me mudei, o tempo passou na janela até que um dia entra pelos meus ouvidos uma antiga canção de Braguinha e Alberto Ribeiro, gravada pelo Dick Farney em 1946 e cantarolada o tempo todo pelos meus pais, a belíssima “Copacabana”, aquela que diz “Copacabana, Princesinha do Mar, pelas manhãs tu és a vida a cantar”.  Bateu uma saudade! De longe, a gente acaba valorizando as boas lembranças e meu querido bairro, nos anos 50, era especial.

Para a rapaziada de hoje que não conhece a canção e muito menos o Dick Farney, excelente cantor de jazz e música brasileira, vale ouvir o vídeo abaixo, deixar a imaginação voar e se sentir em outros tempos, sem dúvida uma época que não volta mais.

Um abração!

Posto Seis

Nasci em Copacabana, no Posto 4, na antiga Maternidade Arnaldo de Moraes. De lá fui direto para o apartamento no Posto 6, de onde só saí quando casei, 26 anos depois. Na minha rua os bondes passavam na mão e contra-mão, com o barulho metálico das rodas nos trilhos. Morava a uma quadra da praia, quando a Avenida Atlântica tinha uma só pista. Meu playground eram as areias daquela que, na década de 50, ainda era, merecidamente, a Princesinha do Mar.

Aprendi a nadar com um instrutor aposentado da marinha lá pertinho do Forte de Copacabana. Sol, chuva, águas frias, correntezas, não importava, todas as manhãs, antes da escola, lá íamos nós mar adentro, cada vez mais longe. A maior lição foi não ter medo e sempre respeitar o mar.

A vida me levou para cá e para lá e de repente estou morando novamente a uma quadra da praia, desta vez no Posto 4. Mas não importa, todo o dia caminho pela areia até o Posto 6. Copacabana, decididamente, não é mais a mesma mas a praia ainda está lá, livre e aberta para todos. Aliás, voltamos a tomar banho de mar, bem cedo, claro. Afinal, não dá mais para encarar aquele solão de meio-dia.

Dizem que o Posto 6 virou um dos points desse verão. Merece! Tem a colônia de pescadores e seus peixes fresquinhos, uma fortaleza histórica que virou museu, restaurantes, bares e quiosques, o ponto de encontro dos velhinhos do bairro, um clube tradiocional, mar calmo a maior parte do ano, gente bonita praticando Standup Paddle, um pequeno shopping center e enormes amendoeiras com suas sombras generosas.

Querem saber? É muito bom voltar para casa.