Os mortos não cantam

Estava duro dormir! Virou uma, duas, três vezes na cama. Tirou o cobertor, sentiu frio, puxou o cobertor. O culpado era o samba. Amaldiçoou o infeliz que resolveu transformar o botequim infecto que existia desde sempre no prédio da frente em um, putaquepariu, barzinho temático. Agora vivia cheio, fazendo barulho, muito barulho, gente cantando eContinuar lendo “Os mortos não cantam”

Náufrago

“Quando perguntam de onde tenho ressurgido respondo: – Eu venho sempre à tona de todos os naufrágios.” (Mario Quintana) Apesar de tudo, nunca perdeu a esperança de escapar da tempestade. O bote, muito avariado, lutava para vencer as ondas e correntes. A noite tenebrosa, tomada pela chuva e vento, tornava a navegação quase impossível. SabiaContinuar lendo “Náufrago”

Onça-parda

“Acordou inquieto, no meio da noite. Seria sede ou um maldito inseto?” Por algum motivo não conseguia dormir direito. Inquieto, virava de um lado para o outro da cama e o sono ia e vinha intermitente, como se alguma coisa angustiante estivesse acontecendo. Sentou-se, olhou com inveja a mulher roncando suavemente e resolveu ir aoContinuar lendo “Onça-parda”

No topo do mundo

Mal acreditava, mas chegou. Suado, exausto, com dores nas pernas e nos pés, os joelhos pedindo socorro e o ar rarefeito fugindo dos pulmões. Sentia-se quebrado, cansado mas inteiro e vitorioso, afinal, pela primeira vez na sua vida, conseguira chegar no alto de uma das maiores montanhas do Brasil! Não pensou duas vezes, virou aContinuar lendo “No topo do mundo”

Arame farpado

– Muito bem, turma, pergunta! Arame farpado lembra? – … – Vamos lá gente, todo mundo aqui sabe o que um arame farpado. Ou não? – Trincheira da Primeira Guerra Mundial! Espanto total. – Caramba, a Primeira Guerra terminou em 1918, há exatos 99 anos e possivelmente ninguém mais sabe o que é uma trincheira.Continuar lendo “Arame farpado”

Palavras desconexas (ou não)

A internet caiu. Checou o pequeno ícone da rede, na barra de ferramentas, onde um “x” vermelho confirmava a ausência de sinal. Suspirou profundamente, pegou um cigarro e se levantou para fumar na janela. Nesse momento olhou o monitor do notebook e ficou pasmo ao ver o que estava digitando no editor de textos. FrasesContinuar lendo “Palavras desconexas (ou não)”

Figueiredo com Copacabana

Atravessou a Avenida Copacabana apesar do sinal fechado, fora da faixa de pedestres, desviando de carros, ônibus e caminhões a medida que avançavam. Chegou, sabe-se lá como, do outro lado, subiu na calçada, parou, respirou fundo e foi atropelado sem dó por uma bicicleta de entregas, caindo junto com o ciclista pesadamente no chão. PensaContinuar lendo “Figueiredo com Copacabana”