A morte da bezerra

“A bezerra morreu.Santinha, moça bonita e muito dada,informa, amuada:– põe na conta do Abreu.” O “Seu” Biu Clintom, inconformado, furioso, esquecendo-se que o burro acredita em tudo o que lhe dizem, passou a mão na peixeira e jurou vingança. Aquilo não ia ficar assim, ia pegar o Abreu. Dona Excelsa, sábia senhora, conhecendo bem oContinuar lendo “A morte da bezerra”

Jornada

Sentiu-se só, inseguro e doente. Tristeza, muita tristeza. A barriga doía. As mãos, molhadas de suor que também escorria de seus ralos cabelos, tremiam. Para disfarçar, enxugou o rosto com um papel toalha, escondeu as duas nos bolsos da calça, respirou bem fundo para ver se a tremedeira ia embora e seguiu o caminho. PensouContinuar lendo “Jornada”

Uma terça qualquer

Uma terça qualquer. Fria, nublada, mal humorada. Sair debaixo dos cobertores foi um sofrimento. Seis horas da manhã. Ligou o aquecedor do quarto no máximo, abriu o chuveiro com á água o mais quente possível e ficou sentado na beira da cama, ainda sonolento, esperando o vapor sair do banheiro. Tomar banho a essa hora,Continuar lendo “Uma terça qualquer”

Machina

“Os computadores são inúteis. Eles só podem dar respostas.” (Pablo Picasso) No ano 3000 DC, o mundo não tinha mais fronteiras e todos os humanos falavam a mesma língua. Os governos, evidentemente, despareceram e todas as relações da população eram controladas por máquinas processadoras de enorme capacidade, muito além de nossa atual compreensão. A revoluçãoContinuar lendo “Machina”

O peregrino

O calor sufocava. A estrada de terra se estendia à frente, sinuosa, cortando um enorme campo de girassóis, a perder de vista. No entanto, o mais importante e doloroso é que não conseguia encontrar nenhuma árvore, uma sombra para se proteger do sol. Estava exausto, sedento, faminto, quase sem rumo, mas persistia no caminho, mochilaContinuar lendo “O peregrino”

O caso do andar de cima

Como sempre e por causa do tipo de construção, os barulhos do vizinho andando no andar abaixo do seu apartamento pareciam vir dos quartos, na mansarda acima da sala. A sobrinha que estava de visita, uma típica criança de apartamento de cidade grande, logo estranhou: – Tio, que barulho é esse? – Barulho? – É!Continuar lendo “O caso do andar de cima”

O concerto de Mahler

Do nada, sentiu-se inspirado. Foi até o porão, revirou algumas caixas e encontrou uma antiga partitura musical com um samba do Wilson das Neves para piano e, melhor ainda, uma estante para partituras, esquecida ali sabe-se lá por quem. Talvez alguma amiga de uma de suas filhas. Sacudiu a poeira, levou tudo para a salaContinuar lendo “O concerto de Mahler”

Sombras de Hiroshima

Foi até a cozinha, abriu a geladeira e bebeu um copo d’água. Coçou a cabeça, um hábito antigo, lembrou que os cabelos escasseavam e suspirou pela enésima vez, estava ficando careca… Voltou para a sala, sentou na poltrona, pegou um antigo livro sobre filatelia do seu pai e folheando as páginas deu com um envelopeContinuar lendo “Sombras de Hiroshima”