Hospital de Campanha

Foto: Portal Multiplix

 

“Só agora, depois de meses de pandemia, aprendi que Hospital de Campanha foi feito para arrecadar dinheiro para campanha eleitoral.”
(Redes Sociais)

 

No início de abril, o governador do Estado do Rio anunciou, com pompa e circunstância, que estava implantando sete hospitais de campanha para ajudar no combate ao Covid-19 nas cidades do Rio, São Gonçalo, Duque de Caxias, Campos, Casimiro de Abreu, Nova Iguaçu e Nova Friburgo, a um custo de 770 milhões de reais, através de um contrato emergencial, sem licitação, com uma notória OS cujo nome todos conhecemos.

Pois muito bem (ou melhor, muito mal), hoje, dia 2 de agosto, 4 meses depois, apenas duas unidades entregues (Maracanã e São Gonçalo) e já desativadas e as cinco restantes… Ninguém sabe, ninguém viu. O secretário de saúde que assinou os contratos está preso junto com os dirigentes da empresa responsável (?) pela construção e gestão das unidades, o governador devidamente acuado no Palácio Guanabara e nós, simples cidadãos contribuintes e votantes, morrendo de vergonha com mais um escândalo!

O pior de tudo é ouvir o atual secretário de saúde tentar nos convencer que os hospitais não serão ativados porque o Covid-19 já está devidamente controlado e seus índices de infecções e falecimento em plena queda. Aí fico em dúvida se estou sendo chamado de burro, idiota ou cego! De qualquer maneira, fico com a esperança que os eleitores não se esqueçam dessa pajelança estadual e deem o troco nas eleições de novembro. É o mínimo que podemos fazer.

A propósito, não sei quem é o autor da frase que abre o texto, mas deixo meus cumprimentos e assino embaixo: parabéns!

Adeus, FIló

Adeus, minha amiga. Ou melhor, até algum dia, quando eu me for e te encontrar me esperando, alegre, disposta e saudável, pulando alegre, como você fez tantas e tantas vezes nesses dez anos que convivemos juntos. Adeus, minha amiga. Se você, por um acaso, conhecer meus pais, dê um sorriso para eles e se for possível, diga que estou morrendo de saudades. Adeus, minha amiga, perdoe meus momentos de mau humor, minha insegurança, minhas dúvidas. Adeus, minha amiga, obrigado pela companhia, pelos passeios, brincadeiras e carinhos. Fique com Deus e tenha certeza que estou sentindo muito sua falta.

Adeus, Filó.

Monólito

Foto: Carlos Emerson Junior

Tudo aconteceu numa rua deserta, em um bairro residencial, sem veículos ou pessoas circulando. De um lado ficavam as casas, grandes, com muros altos cobertos de heras e do outro uma ribanceira coberta de plantas e muitas árvores. Em alguns trechos, o mato meio que se abria e viam-se as montanhas que cercavam a cidade ao longe.

Até o dia que alguém por ali passou e, ao invés dos morros, deu de cara com um objeto retangular, preto, enigmático e assustador, como que vigiando o local, como se fosse o monólito do filme famoso dos anos 60 ou um deus julgando a sua criação.

A aparição tinha tudo para ganhar o mundo: televisão, rádio, imprensa, blogs, políticos, religiosos, militares, cientistas, artistas, escritores e poetas, crentes e céticos, todos com disposição e posição tomada para defender ou execrar o evento se encaminharam para a rua outrora vazia quando uma criança, atendendo um jornalista qualquer, se espantou com tamanho alvoroço por causa de uma simples caixa d’água.

Caixa d’água? Impossível! Blasfêmia! Mentira! Que alívio! Eu sabia! Que coisa! Comunistas! Fascistas! Hipócritas! Corruptos! O presidente se calou, o governador lamentou e o prefeito mandou multar o responsável pelo desatino, colocar uma caixa d’água em local não permitido. Do dia para a noite todos queriam saber quem era esse vilão que tantas expectativas criara.

O “monólito” foi derrubado, o povo se dispersou e a rua, como sempre, voltou a ter paz, solidão e silêncio. A paisagem ainda está lá, as montanhas abraçando a cidade. As árvores, plantas e a ribanceira também. Os pais da criança que provocou todo o alvoroço, assustados se mudaram para bem longe, a vida seguiu seu rumo e nossa história aqui terminou. Aliás, sequer começou… Afinal, nada existia e nada mudou.

Cerejeiras

Foto: Carlos Emerson Jr.

“Em uma encosta de montanha,
solitária, não acompanhada,
se encontra uma árvore de cerejeira.
Exceto para você, amiga solitária,
para os outros eu sou desconhecido.”

(Abade Gyôson – 1055/1135)

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Oi! Passei aqui para avisar que as cerejeiras de Nova Friburgo estão florescendo. Além de deixar a cidade muito mais bonita, são sempre um tema perfeito para versos, fotos e, quem sabe, amor. Que sejam muito bem vindas.

Copacabana

Foto: Carlos Emerson Jr.

O ano de 1950 foi bem animado: em fevereiro a escola de samba Império Serrano ganhou o desfile com o tema Batalha Naval do Riachuelo. Em junho foi inaugurado o Estádio Municipal do Maracanã e alguns dias depois começava a IV Copa do Mundo de Futebol, vencida pelo Uruguai. Já em setembro, era inaugurada em São Paulo a primeira emissora de televisão do Brasil, a TV Tupi. Em outubro Getúlio Vargas foi eleito presidente do país e nesse mesmo mês, no dia 15, na Maternidade Arnaldo de Moraes, em Copacabana, eu nasci. 

Perdoem a brincadeira mas convenhamos, a “Princesinha do Mar” era um ótimo lugar para se nascer. Morava a uma quadra da praia, no Posto Seis, onde o mar é sempre calmo, ao lado de uma pracinha feita sob medida para a criançada,  perto da escola, tinha onde andar de patins e bicicleta, uns 7 cinemas à disposição na vizinhança, bailes de carnaval infantis e fogueiras de São João nas areias da praia. 

 Não por acaso morei lá por 43 anos! 

Vida que segue, casei e me mudei, o tempo passou na janela até que um dia entra pelos meus ouvidos uma antiga canção de Braguinha e Alberto Ribeiro, gravada pelo Dick Farney em 1946 e cantarolada o tempo todo pelos meus pais, a belíssima “Copacabana”, aquela que diz “Copacabana, Princesinha do Mar, pelas manhãs tu és a vida a cantar”.  Bateu uma saudade! De longe, a gente acaba valorizando as boas lembranças e meu querido bairro, nos anos 50, era especial.

Para a rapaziada de hoje que não conhece a canção e muito menos o Dick Farney, excelente cantor de jazz e música brasileira, vale ouvir o vídeo abaixo, deixar a imaginação voar e se sentir em outros tempos, sem dúvida uma época que não volta mais.

Um abração!

O caso dos doze comprimidos

Aconteceu comigo. Minto, ainda acontece e faço questão de contar. 

Infelizmente sabemos que tirando as curas milagrosas de Jesus, ainda não existe um meio eficaz de curar uma doença sem utilizar algum tipo de remédio, qualquer um, mesmo que seja um placebo! O pior é que dependendo da gravidade de seu estado, mais medicação será recomendada, com e apesar dos famosos “efeitos colaterais”. 

Ao contrário de muita gente boa, nunca fui muito “amigo” de pílulas, cápsulas, comprimidos, xaropes, poções, pomadas, cremes, sublinguais, injeções, supositórios e afins, não necessariamente nessa ordem. Acredito sim que temos grande dificuldade de aceitar que um algum dia deixaremos de ser eternamente jovens e receberemos a conta dos anos de descaso com nossa saúde física e mental.

Por alguma razão passei grande parte da vida praticamente incólume neste quesito: uma gripe aqui, outra dor de barriga ali, uma indisposição acolá e stress, esse sim, sempre. Nunca quebrei um ossinho e tampouco fui internado em um hospital. Mas, mesmo sem querer enxergar o óbvio, o tempo corre inexorável e tive que aprender a usar óculos e remédios diários para controlar a pressão arterial, ansiedade e dores de cabeça. 

Para resumir, hoje tomo exatos e obrigatórios doze comprimidos por dia: 7 da quimioterapia, 3 da hipertensão, um para a gastrite e é claro, um para  manter a sanidade num país completamente insano. Eventualmente tenho a postos um para dor nas costas, outro para regular o intestino, um colírio e um outro com um gosto horrível para azias. Deve ser por isso que sou tão bem recebidos nas farmácias. 

Mas o que me incomoda mesmo (e aí não tem remédio que cure) é o descaso com a saúde pública, em todos os níveis. A pandemia é cruel até por isso, ao expor de maneira crua e mortal a incompetência e a desonestidade das autoridades em todos os níveis, algumas incapazes de atitudes coerentes com a gravidade  do momento e outras mais preocupadas com o lucro de transações criminosas, imorais e escusas.

Enquanto isso, vamos driblando nossas próprias deficiências, tentando viver sem trabalho, saúde e o pior de tudo, sem nenhuma esperança de dias melhores. Meus doze comprimidos não tem culpa de nada e se Deus quiser vão me deixar curado. No entanto, com certeza, para mim serão sempre o símbolo de dias confusos, angustiantes e cheios de incertezas.  

Aprendemos alguma coisa? Tomara que sim, afinal seremos todos sobreviventes. E sinceramente, espero nunca mais ver um hospital de campanha que custou 60 milhões de reais aos cofres públicos, ser abandonado em plena pandemia. Ninguém merece…

Não sei ler e escrever

Gravura: Sophie Lambert
E se eu escrevesse um romance, 
novela, um conto que seja?
Quem sabe, um poema!
Uma crônica serve? 
Ou você prefere um livro de receitas?
Pois é… Tudo para te agradar.
Mas, como você notou,
não leio ou escrevo mais nada
triste, alegre, feio ou bonito.
E sequer sei cozinhar…

Desculpe.

Carlos Emerson Junior 
(junho de 2020)

Máscaras

Google Imagens

Não serei injusto, até agora, as únicas armas que dispomos para evitar o Covid-19 são o isolamento social e as máscaras de proteção respiratória, sejam elas de TNT, pano, tricoline, descartáveis, reutilizáveis, caseiras, industriais, artesanais, fashion e por aí vai. Sorte nossa! Na última grande guerra a população só dispunha de máscaras contra gases venenosos iguais ao da foto acima, grandes, pesadas, caras e difíceis de encontrar. Só fico torcendo para que nossa dificuldade em lidar com esse vírus não nos obrigue a viver com tal trambolho na cara.

Boa quarentena, amigos.

Vai passar, Nova Friburgo!

Google Imagens

O que você faz quando precisa escrever um texto e a inspiração, ideias, criatividade e disposição desaparecem? Já notaram que em tempos de quarentena (pra valer), ficamos mais lentos, dispersos, desligados e, por que não, preguiçosos? Se faz frio e chove, como hoje, aí degringola tudo. Se sair da cama passa a ser um suplício, imagine sentar com o notebook para trabalhar, quando a vontade mesmo é vestir um moletom bem grosso, acender a lareira, tomar um chocolate quente e voltar para baixo do moletom… na cama, é claro!

Bom, vamos lá que hoje não é dia de dormir e sim de festejar o aniversário da minha querida Nova Friburgo, uma senhora com 202 anos de idade! As comemorações foram suspensas, é claro, afinal o coronavirus que sequer foi convidado para a festa, continua aprontando por aí. Hoje é feriado municipal e sequer o sol veio trabalhar. Não sei como está o centro da cidade, mas aqui no Sans Souci o silêncio chega a doer no ouvido. Sei lá, o tempo chuvoso, a quarentena prolongada e a dúvida sobre o nosso futuro desanimam qualquer um.

Hoje não vamos ter a tradicional parada na Alberto Braune com os militares do Exército, Marinha, PM e Bombeiros, a garotada e os ex-alunos das escolas com suas bandas, os músicos da Euterpe, da Campesina e tanta gente boa e amiga que nos faz sorrir. Fico aqui imaginando como seria bom se o vírus desaparecesse por algumas horas para que todos desfilassem e nos encantassem. Pena que só em em sonho mesmo…

Parabéns, Nova Friburgo! Parabéns, friburguenses. Apesar de ter passado a vida quase toda no Rio, aprendi a amar essa cidade singular, bonita e extremamente acolhedora. Não fique triste, Nova Friburgo, estamos comemorando seu aniversário com nosso coração, aqui mesmo, do seu lado, em nossas casas aguardando a hora de retomarmos nossas vidas. Parabéns, Nova Friburgo! Acredite, tudo isso vai passar.

Sempre passa!